terça-feira, 27 de outubro de 2009

História, literatura e cinema

Há quase um ano atrás, numa tarde chuvosa de domingo, decidi ir ao cinema com a família sem ter qualquer ideia do filme que iria ver. Chegados ao cinema, reparei que estava em exibição Duas Irmãs, um Rei (The Other Boleyn Girl, no título original). Escolhi de imediato este filme quando me apercebi do que se tratava (sempre tive um especial interesse pelo período Tudor desde o tempo da Faculdade) e da qualidade do elenco. Scarlett Johanson é a doce e leal Mary Boleyn; Natalie Portman dá corpo á calculista e ambiciosa Ann Boleyn; o australiano Eric Bana desempenha o papel do poderoso mas manipulável Henry VIII e Kristin Scott Thomas é Elizabeth Boleyn, a sofrida mãe que vê dois dos seus filhos serem decapitados, acusados de alta traição, como resultado da complexa teia de interesses e intrigas que a família Boleyn concebeu ao longo de anos de demanda do poder.

Talvez pelo facto de não ter quaisquer expectativas em relação ao filme, pois nada tinha ouvido sobre ele, fiquei agradavelmente surpreendida pela qualidade da trama, pelo desempenho dos actores, pelos cenários, pelo guarda-roupa… Fiquei especialmente impressionada pelo retrato desenhado da sociedade Inglesa do século XVI. Trata-se de uma sociedade onde se estabelece uma complexa e cruel teia de relações em nome da ambição, da glória efémera e da riqueza fácil e onde os filhos das famílias nobres, em especial as mulheres, são tratados como meros objectos de troca na contínua disputa pela riqueza e influencia.

Apercebi-me que o guião do filme tinha sido inspirado na obra homónima de uma escritora britânica, da qual eu nada tinha ouvido. Nesse momento ler a obra original tinha-se tornado uma necessidade para mim. Dirigi-me a uma livraria e lá estava a tal obra de Philippa Gregory. Levei-a para casa e comecei a lê-la nesse mesmo dia. Devo dizer que a leitura das obras desta escritora é viciante, tal é a fluidez e a envolvência do seu discurso. Quanto mais lia, mais queria ler. É só mais esta página. Já agora leio até ao fim do capítulo. E assim ficava a ler até demasiado tarde.

Depois de Duas Irmãs, Um Rei, li O Amante da Rainha (The Virgin’s Lover), Catarina de Aragão (The Constante Princess) e ainda A Outra Rainha (The Other Queen). Conto ainda ler mais algumas, pois a obra desta escritora é bastante vasta e variada.

Talvez importe agora falar um pouco de Philippa Gregory. Philippa frequentou várias universidades britânicas, doutorou-se em literatura do século XVIII, mas a sua grande paixão é o período Tudor e o século XVI. Escreveu para várias publicações e guiões para séries de televisão. É ainda a autora de variados romances históricos, sendo The Other Boleyn Girl o mais aclamado. Esta obra foi publicada em 2002, tendo ganho o prémio Parker Romantic Novel of the Year nesse mesmo ano. Em 2003 foi adaptado à televisão pela BBC e ao cinema em 2008.

Um comentário:

  1. Já tinha ouvido falar do filme, mas não fazia ideia de que se baseava numa obra, nem sequer ouvi alguma vez falar de Philippa Gregory. Fiquei com muita curiosidade. Vou procurar para comprar e pôr ali na estante, na secção dos livros à espera de tempo para ser lidos. Provavelmente lá mais para o Natal.

    ResponderExcluir