Ao longo de toda esta acção de formação temos aprendido e reflectido sobre todo um leque de possibilidades que o uso das novas tecnologias nos proporciona enquanto profissionais do ensino. Fui apresentada ao mundo das ferramentas de publicação na Internet: os blogues, os wikis e os eportefólios. Tinha ouvido sobre todas elas e até já tinha consultado alguns sobre assuntos do meu interesse, mas, para dizer a verdade, nunca tinha pensado seriamente em todas as vantagens que estas ferramentas podem trazer para a minha sala de aula e, até, para fora dela.
O facto do professor sugerir a elaboração de um blogue vai, decerto, aproxima-lo dos alunos, os quais se identificam imenso com o mundo dos computadores e da Internet, onde passam uma parte significativa do seu tempo. Deste modo, os alunos estarão a estudar e a desenvolver todo um conjunto de competências, sem que isso tenha o "peso" de uma qualquer outra actividade de cariz mais formal. Do mesmo modo poderão continuar a desenvolver esta tarefa extra-aula,em casa, por exemplo, levando-os a dedicar mais tempo ao estudo, o que é sempre positivo.
Também podemos considerar a possibilidade de levar a cabo um blogue de turma, para o qual todos os elementos podem contribuir para uma actividade colectiva. No entanto, todos os elementos desse grupo, bem como o professor, podem dar o seu contributo para o trabalho individual de cada um dos alunos, seja através de sugestões,críticas ou informação adicional.
Outra ferramenta de publicação na Internet de grande interesse para o processo de ensino-aprendizagem é o wiki. Este permite a elaboração de, por exemplo,actividades de grupo, logo, de carácter colaborativo, pois possibilita uma actualização constante por parte de qualquer elemento do grupo de trabalho, a qualquer hora e em qualquer lugar. Este tipo de actividade é passível de desenvolver no aluno todo um conjunto de competências que serão uma mais-valia para o seu futuro profissional, seja a capacidade de trabalhar em equipa, partilhando informação, conhecimentos e opiniões, seja a capacidade de negociação.
Outra vantagem reside na motivação extra que representa a possibilidade desse trabalho ser divulgado e, posteriormente, conhecido e comentado por qualquer internauta em qualquer parte do mundo. Desta forma, será possível, por exemplo, obter todo um conjunto de novas visões sobre o tema abordado. Também os pais e encarregados de educação terão a possibilidade de acompanhar as actividades do seu filho/ educando, de forma fácil e rápida e em tempo útil, algo impensável num passado ainda bastante recente.
O eportefólio é outra ferramenta de grande valor pedagógico actualmente ao nosso dispor. Com recurso a esta ferramenta o aluno pode construir uma base de dados pessoal, onde deposita todo o conjunto de trabalhos que, segundo ele, melhor evidencia o seu percurso de aprendizagem, colocando o enfoque, não tanto no resultado final obtido, mas, acima de tudo, em todo o trajecto realizado. A consulta do eportefólio do aluno, permite ao professor acompanhar e avaliar o progresso e desempenho do discente através do registo das tarefas desenvolvidas, das dificuldades encontradas e ultrapassadas, ou não, e dos objectivos atingidos.
Com o uso de todas estas ferramentas, o trabalho de professor e dos alunos resulta mais motivador, mais eficaz, talvez, até, mais fácil. Mas nem tudo são rosas e também podemos apontar alguns problemas na sua utilização mais generalizada, como o tempo e a disponibilidade requerida por parte do professor que, por norma, tem um número de alunos demasiado elevado e um infindável rol de tarefas burocráticas a realizar, obrigando-o a distrair-se do que é realmente importante: ensinar e acompanhar os seus alunos. Outro obstáculo poderá ser o facto dos meios informáticos nem sempre estarem ao dispor permanente dos alunos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Aprender: passado e presente
Quando todos nós éramos adolescentes, a palavra "computador" era algo que ficava no domínio da ficção científica, sendo uma realidade longínqua e inatingível. O nosso processo de aprendizagem era algo de bastante passivo, centralizado no papel do professor, o grande e unico motor que liderava todas as actividades dentro da sala de aula. E quem não se lembra de todas aquelas longas horas passadas nas bibliotecas a consultar inúmeros livros, sem que, muitas vezes, conseguíssemos encontrar a informação que procuravamos e era essencial para a elaboração do nosso trabalho? A seguir vinha a elaboração do trabalho, propriamente dito. Lembram-se de todo o tempo passado a teclar naquelas máquinas de escrever, barulhentas, lentas e de toda a fita correctora dispendida? Não consigo evitar um rasgado sorriso ao lembrar-me destes tempos!
Mas com o passar do tempo tudo mudou e tem vindo a mudar a um ritmo alucinante, principalmente nos últimos anos e no que diz respeito aos recursos tecnológicos isso é particularmente verdadeiro. Os computadores, a Internet e todos os recursos a eles associados vieram mudar a nossa percepção do mundo, a maneira como trabalhamos, socializamos, passamos o nosso tempo livre (embora este seja cada vez mais uma miragem :-()e, claro está, a maneira como aprendemos e ensinamos.
A partir do momento em que se generalizou o uso dos computadores e da Internet nas actividades dentro e fora da sala de aula, os papeis, tanto do professor como do aluno, sofreram grandes alterações. Presentemente os jovens têm um papel muito mais activo no seu processo de aprendizagem, tornando-se muito mais autónomos, podendo envolver-se num vasto conjunto de tarefas "por conta própria", principalmente fora dos tempos lectivos, em casa ou em qualquer outro lugar. Com o acesso facilitado ao uso de computador e à Internet, os jovens podem envolver-se em actividades que vão tentando desenvolver, podendo ser imediatamente bem sucedidos, mas, se não o forem, podem voltar a tentar até conseguirem. Para isso podem contar com o apoio online do professor e dos colegas que podem sempre dar o seu feedback ou colaborar com nova informação que tenham disponível. Promove-se, assim o estudo cooperativo, algo difícil de realizar num passado ainda bastante recente.
No que concerne à elaboração de trabalhos de grupo ou individuais, o uso das novas tecnologias representam uma mais-valia importante, que os nossos alunos consideram como algo adquirido, sem as quais não conseguiriam trabalhar. De facto, estas tarefas são, agora, bastante mais fáceis de levar a cabo e os resultados são bastante mais atractivos. As longas horas passadas na biblioteca, deram lugar a alguns minutos passados confortavelmente no quarto (no jardim ou no café ali perto) a pesquisar informação que se encontra, apenas, a um click de distancia, informação essa que pode vir acompanhada de fotografias, som, vídeos, gráficos e mapas, tudo isto contribuindo para uma melhor e mais clara percepção da mensagem. Do mesmo modo, a própria elaboração do trabalho torna-se mais motivante, tendo em conta todo aquele vasto conjunto de recursos que o aluno tem à sua disposição e que lhe proporcionam a possibilidade de apresentar o "produto final" de forma mais clara, motivadora, e atraente.
No entanto, e apesar de todos os recursos postos à disposição dos nossos jovens para lhes facilitar o trabalho, muitas vezes fica bastante claro que essas ferramentas não são suficientemente aproveitadas pelos alunos em seu próprio benefício. Apesar de toda a tecnologia, falta, muitas vezes, a elementar vontade de aprender...
Mas com o passar do tempo tudo mudou e tem vindo a mudar a um ritmo alucinante, principalmente nos últimos anos e no que diz respeito aos recursos tecnológicos isso é particularmente verdadeiro. Os computadores, a Internet e todos os recursos a eles associados vieram mudar a nossa percepção do mundo, a maneira como trabalhamos, socializamos, passamos o nosso tempo livre (embora este seja cada vez mais uma miragem :-()e, claro está, a maneira como aprendemos e ensinamos.
A partir do momento em que se generalizou o uso dos computadores e da Internet nas actividades dentro e fora da sala de aula, os papeis, tanto do professor como do aluno, sofreram grandes alterações. Presentemente os jovens têm um papel muito mais activo no seu processo de aprendizagem, tornando-se muito mais autónomos, podendo envolver-se num vasto conjunto de tarefas "por conta própria", principalmente fora dos tempos lectivos, em casa ou em qualquer outro lugar. Com o acesso facilitado ao uso de computador e à Internet, os jovens podem envolver-se em actividades que vão tentando desenvolver, podendo ser imediatamente bem sucedidos, mas, se não o forem, podem voltar a tentar até conseguirem. Para isso podem contar com o apoio online do professor e dos colegas que podem sempre dar o seu feedback ou colaborar com nova informação que tenham disponível. Promove-se, assim o estudo cooperativo, algo difícil de realizar num passado ainda bastante recente.
No que concerne à elaboração de trabalhos de grupo ou individuais, o uso das novas tecnologias representam uma mais-valia importante, que os nossos alunos consideram como algo adquirido, sem as quais não conseguiriam trabalhar. De facto, estas tarefas são, agora, bastante mais fáceis de levar a cabo e os resultados são bastante mais atractivos. As longas horas passadas na biblioteca, deram lugar a alguns minutos passados confortavelmente no quarto (no jardim ou no café ali perto) a pesquisar informação que se encontra, apenas, a um click de distancia, informação essa que pode vir acompanhada de fotografias, som, vídeos, gráficos e mapas, tudo isto contribuindo para uma melhor e mais clara percepção da mensagem. Do mesmo modo, a própria elaboração do trabalho torna-se mais motivante, tendo em conta todo aquele vasto conjunto de recursos que o aluno tem à sua disposição e que lhe proporcionam a possibilidade de apresentar o "produto final" de forma mais clara, motivadora, e atraente.
No entanto, e apesar de todos os recursos postos à disposição dos nossos jovens para lhes facilitar o trabalho, muitas vezes fica bastante claro que essas ferramentas não são suficientemente aproveitadas pelos alunos em seu próprio benefício. Apesar de toda a tecnologia, falta, muitas vezes, a elementar vontade de aprender...
sábado, 5 de dezembro de 2009
Na aula com... Shakespeare e Dickens
Neste novo post gostaria de partilhar convosco uma experiência que levei a cabo no ano lectivo de 2007/2008 com uma turma do décimo primeiro ano do curso de Artes Visuais, experiência esta que me deixou bastante satisfeita com o feedback que obtive dos alunos.
Tratava-se de uma turma de dezasseis alunos, com um domínio bastante razoável da língua inglesa e, como seria de esperar, bastante criativos e com vontade de experimentar coisas novas. Pensei, então, sobre o que poderia fazer de novo, que os pudesse motivar e que, ao mesmo tempo, se relacionasse com algum domínio das artes, e com o Inglês. E porque não pegar em dois expoentes máximos da literatura inglesa, William Shakespeare e Charles Dickens, e dá-los a conhecer a estes alunos? Claro que todos já tinham ouvido falar nestes dois grandes escritores Ingleses, mas a experiência já me tinha ensinado que os jovens pouco ou nada sabem sobre estes grandes nomes da literatura ou sobre as épocas em que viveram. Decidi, então, planificar e elaborar materiais para duas aulas, cada uma dedicada a um destes autores.
Comecei por seleccionar a informação mais relevante e que, no fim, pudesse facultar aos alunos um conjunto de conhecimentos fundamentais sobre as vidas e obras dos autores, bem como os contextos socio-históricos inerentes às suas criações. Para isso, elaborei dois "quizzes", os quais permitiam aos alunos testar os seus conhecimentos sobre estas temáticas,bem como adquirir novos conhecimentos. Uma segunda actividade consistia na leitura e análise não exaustiva de textos dos referidos escritores.
Quando informei os alunos sobre as actividades que iríamos desenvolver naquelas duas aulas, devo admitir , que não foram muito positivas, pois os alunos tinham aquela ideia preconcebida de que uma aula sobre literatura iria ser, decerto, "uma grande seca". Expliquei-lhes que tudo dependeria da abordagem que fosse feita, e que, a minha intenção, era proporcionar-lhes uma aula descontraída, em que até iríamos falar sobre e ler, por exemplo, um soneto de Shakespeare, de uma forma aligeirada e algo informal, esperando que, no fim, pudessem concluir que a leitura de obras literárias pode ser uma actividade motivadora, interessante, bastante construtiva e, no fundo, um prazer.
Na primeira das duas aulas previstas, para além do "quiz" sobre a vida e obra de Shakespeare, escolhi o conhecido soneto “Shall I Compare Thee to a Summer's Day?”, o qual foi declamado, e até com algum entusiasmo, por dois alunos que se voluntariaram para tal. Seguidamente analisámos o vocabulário, o conteúdo, assim como alguns aspectos formais do texto.
Já na segunda aula, dedicada a Charles Dickens, os alunos também responderam a um "quiz" e, seguidamente, passamos à leitura do extracto do capítulo V de "Hard Times", em que o autor descreve "Coketown". Desta feita procedemos a uma análise superfícial do conteúdo do texto e, tendo em conta que se tratava de uma turma do curso de Artes Visuais, solicitei-lhes que desenhassem ou pintassem uma imagem de Coketown, tendo em conta a sua interpretação do texto, o que foi realizado em casa. Devo dizer que os resultados desta actividade tiveram tanto de inesperado como de interessante. Os diferentes alunos retrataram Coketown de maneiras muito diversas, utilizando materiais e técnicas diferenciadas, mas com resultados surpreendentes, que deixaram bem claro a facto de um mesmo texto poder dar origem a interpretações tão distintas e contrastantes.
Tendo em conta as reacções que fui constatando ao longo das actividades realizadas nestas duas aulas, posso concluir que a resistência inicial deu lugar a uma nova perspectiva da parte dos alunos em relação à literatura. Penso que lhes consegui provar que a leitura de clássicos da literatura não tem de ser difícil e entediante, mas que, pelo contrário, pode ser bastante interessante e um verdadeiro prazer.
Depois desta experiência, só posso lamentar o facto de nós, professores, nos encontrarmos tão limitados e espartilhados por um sistema que nos obriga a correr contra o tempo para, por vezes sabe-se lá como, cumprirmos um programa que é demasiado longo, com temas demasiado abrangentes e complexos, não nos deixando tempo para levarmos a cabo actividades alternativas, o que, decerto, resultaria bastante mais motivador, tanto para docentes, como para discentes.
Tratava-se de uma turma de dezasseis alunos, com um domínio bastante razoável da língua inglesa e, como seria de esperar, bastante criativos e com vontade de experimentar coisas novas. Pensei, então, sobre o que poderia fazer de novo, que os pudesse motivar e que, ao mesmo tempo, se relacionasse com algum domínio das artes, e com o Inglês. E porque não pegar em dois expoentes máximos da literatura inglesa, William Shakespeare e Charles Dickens, e dá-los a conhecer a estes alunos? Claro que todos já tinham ouvido falar nestes dois grandes escritores Ingleses, mas a experiência já me tinha ensinado que os jovens pouco ou nada sabem sobre estes grandes nomes da literatura ou sobre as épocas em que viveram. Decidi, então, planificar e elaborar materiais para duas aulas, cada uma dedicada a um destes autores.
Comecei por seleccionar a informação mais relevante e que, no fim, pudesse facultar aos alunos um conjunto de conhecimentos fundamentais sobre as vidas e obras dos autores, bem como os contextos socio-históricos inerentes às suas criações. Para isso, elaborei dois "quizzes", os quais permitiam aos alunos testar os seus conhecimentos sobre estas temáticas,bem como adquirir novos conhecimentos. Uma segunda actividade consistia na leitura e análise não exaustiva de textos dos referidos escritores.
Quando informei os alunos sobre as actividades que iríamos desenvolver naquelas duas aulas, devo admitir , que não foram muito positivas, pois os alunos tinham aquela ideia preconcebida de que uma aula sobre literatura iria ser, decerto, "uma grande seca". Expliquei-lhes que tudo dependeria da abordagem que fosse feita, e que, a minha intenção, era proporcionar-lhes uma aula descontraída, em que até iríamos falar sobre e ler, por exemplo, um soneto de Shakespeare, de uma forma aligeirada e algo informal, esperando que, no fim, pudessem concluir que a leitura de obras literárias pode ser uma actividade motivadora, interessante, bastante construtiva e, no fundo, um prazer.
Na primeira das duas aulas previstas, para além do "quiz" sobre a vida e obra de Shakespeare, escolhi o conhecido soneto “Shall I Compare Thee to a Summer's Day?”, o qual foi declamado, e até com algum entusiasmo, por dois alunos que se voluntariaram para tal. Seguidamente analisámos o vocabulário, o conteúdo, assim como alguns aspectos formais do texto.
Já na segunda aula, dedicada a Charles Dickens, os alunos também responderam a um "quiz" e, seguidamente, passamos à leitura do extracto do capítulo V de "Hard Times", em que o autor descreve "Coketown". Desta feita procedemos a uma análise superfícial do conteúdo do texto e, tendo em conta que se tratava de uma turma do curso de Artes Visuais, solicitei-lhes que desenhassem ou pintassem uma imagem de Coketown, tendo em conta a sua interpretação do texto, o que foi realizado em casa. Devo dizer que os resultados desta actividade tiveram tanto de inesperado como de interessante. Os diferentes alunos retrataram Coketown de maneiras muito diversas, utilizando materiais e técnicas diferenciadas, mas com resultados surpreendentes, que deixaram bem claro a facto de um mesmo texto poder dar origem a interpretações tão distintas e contrastantes.
Tendo em conta as reacções que fui constatando ao longo das actividades realizadas nestas duas aulas, posso concluir que a resistência inicial deu lugar a uma nova perspectiva da parte dos alunos em relação à literatura. Penso que lhes consegui provar que a leitura de clássicos da literatura não tem de ser difícil e entediante, mas que, pelo contrário, pode ser bastante interessante e um verdadeiro prazer.
Depois desta experiência, só posso lamentar o facto de nós, professores, nos encontrarmos tão limitados e espartilhados por um sistema que nos obriga a correr contra o tempo para, por vezes sabe-se lá como, cumprirmos um programa que é demasiado longo, com temas demasiado abrangentes e complexos, não nos deixando tempo para levarmos a cabo actividades alternativas, o que, decerto, resultaria bastante mais motivador, tanto para docentes, como para discentes.
Assinar:
Postagens (Atom)
