quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Aprender: passado e presente

Quando todos nós éramos adolescentes, a palavra "computador" era algo que ficava no domínio da ficção científica, sendo uma realidade longínqua e inatingível. O nosso processo de aprendizagem era algo de bastante passivo, centralizado no papel do professor, o grande e unico motor que liderava todas as actividades dentro da sala de aula. E quem não se lembra de todas aquelas longas horas passadas nas bibliotecas a consultar inúmeros livros, sem que, muitas vezes, conseguíssemos encontrar a informação que procuravamos e era essencial para a elaboração do nosso trabalho? A seguir vinha a elaboração do trabalho, propriamente dito. Lembram-se de todo o tempo passado a teclar naquelas máquinas de escrever, barulhentas, lentas e de toda a fita correctora dispendida? Não consigo evitar um rasgado sorriso ao lembrar-me destes tempos!

Mas com o passar do tempo tudo mudou e tem vindo a mudar a um ritmo alucinante, principalmente nos últimos anos e no que diz respeito aos recursos tecnológicos isso é particularmente verdadeiro. Os computadores, a Internet e todos os recursos a eles associados vieram mudar a nossa percepção do mundo, a maneira como trabalhamos, socializamos, passamos o nosso tempo livre (embora este seja cada vez mais uma miragem :-()e, claro está, a maneira como aprendemos e ensinamos.

A partir do momento em que se generalizou o uso dos computadores e da Internet nas actividades dentro e fora da sala de aula, os papeis, tanto do professor como do aluno, sofreram grandes alterações. Presentemente os jovens têm um papel muito mais activo no seu processo de aprendizagem, tornando-se muito mais autónomos, podendo envolver-se num vasto conjunto de tarefas "por conta própria", principalmente fora dos tempos lectivos, em casa ou em qualquer outro lugar. Com o acesso facilitado ao uso de computador e à Internet, os jovens podem envolver-se em actividades que vão tentando desenvolver, podendo ser imediatamente bem sucedidos, mas, se não o forem, podem voltar a tentar até conseguirem. Para isso podem contar com o apoio online do professor e dos colegas que podem sempre dar o seu feedback ou colaborar com nova informação que tenham disponível. Promove-se, assim o estudo cooperativo, algo difícil de realizar num passado ainda bastante recente.

No que concerne à elaboração de trabalhos de grupo ou individuais, o uso das novas tecnologias representam uma mais-valia importante, que os nossos alunos consideram como algo adquirido, sem as quais não conseguiriam trabalhar. De facto, estas tarefas são, agora, bastante mais fáceis de levar a cabo e os resultados são bastante mais atractivos. As longas horas passadas na biblioteca, deram lugar a alguns minutos passados confortavelmente no quarto (no jardim ou no café ali perto) a pesquisar informação que se encontra, apenas, a um click de distancia, informação essa que pode vir acompanhada de fotografias, som, vídeos, gráficos e mapas, tudo isto contribuindo para uma melhor e mais clara percepção da mensagem. Do mesmo modo, a própria elaboração do trabalho torna-se mais motivante, tendo em conta todo aquele vasto conjunto de recursos que o aluno tem à sua disposição e que lhe proporcionam a possibilidade de apresentar o "produto final" de forma mais clara, motivadora, e atraente.

No entanto, e apesar de todos os recursos postos à disposição dos nossos jovens para lhes facilitar o trabalho, muitas vezes fica bastante claro que essas ferramentas não são suficientemente aproveitadas pelos alunos em seu próprio benefício. Apesar de toda a tecnologia, falta, muitas vezes, a elementar vontade de aprender...

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